quinta-feira, 9 de abril de 2009

À minha esposa Adriane,
meus filhos Igor e Victor,
Culica, Alex, Iuri, Valmício
e a todos aqueles que,
de uma forma ou de outra colaboraram
com essa história de sucesso

As raízes da mudança

"Fazer algo bem feito vale tanto a pena que morrer,
tentando fazer ainda melhor, não pode ser loucura.
A vida é medida por realizações e não por anos.”
Bruce McLaren
1937-1970


Culica, precursor dessa história repleta de vitórias

A poucos dias do Natal de 2004, um encontro marcaria o início de uma mudança radical nas divisões de base de futsal do Lagoa Iate Clube (LIC). Na Praça de Alimentação dos Supermercados Angeloni, o então vice-presidente de Futebol do LIC, Luiz Alves da Silva, carinhosamente conhecido pela alcunha de Culica, e eu nos encontramos e trocamos algumas idéias sobre o futsal de base de Santa Catarina. Em meio às compras no carrinho, sentamos e fizemos um breve lanche. Culica, que meses antes havia me conhecido em um jogo em que discutimos bastante – ele como sempre muito aguerrido -, havia sutilmente me formulado uma proposta para deixar a Elase e partir para um projeto totalmente aberto no LIC.

Naquele momento eu ainda comemorava o tricampeonato estadual da Elase e, naturalmente, estava cheio de planos. No entanto, após 18 títulos ininterruptos, uma centelha foi acessa, quando pela primeira vez o “imbatível” time elaseano foi derrotado dentro de casa pelo Colegial, em uma prorrogação polêmica que culminou com a perda do título da Liga de Florianópolis.

De imediato, recusei a proposta, mas agradeci a lembrança. A Elase estava no meu coração. Vi todos aqueles meninos vibrarem de emoção nos dois anos anteriores em que fui auxiliar técnico e preparador de goleiros, ensinando, além do meu filho, todos os demais arqueiros do clube. Sair da Elase e seguir meu destino no LIC, uma equipe que vinha crescendo, mas que ainda era considerada pequena, era coisa que nunca havia me passado pela cabeça. Na verdade, sequer havia me passado pela cabeça ser preparador de goleiros ou auxiliar técnico. Minha área de trabalho – comunicação e marketing – não tem nada a ver com o esporte. Só que, revivendo antigos ensinamentos dos meus preparadores da minha época de goleiro - posição em que atuei por mais de duas décadas -, pude desenvolver a base técnica de diversos garotos. Como pai, investi no aprimoramento do meu filho.

Essa história começou quando eu apenas assistia aos treinamentos que eram feitos pelo preparador de goleiros da Elase, o Tiago. Ainda jovem, tinha que conviver com meus “palpites” de fora da quadra. Sei que isso o incomodava. Algum tempo depois, ele teve que terminar seu curso de Educação Física em Porto Alegre-RS e eu fui convidado pelo treinador Miguel Rabeba para assumir o seu lugar.

Confesso que sentir novamente toda a adrenalina das competições me despertou grande interesse e não demorou muito para me apaixonar pelo esporte. No passado, eu havia atuado nos campos de grama e de areia. Futsal (futebol de salão, na época) era apenas coisa de escola. Mas, a partir daquele momento, eu estava mais uma vez envolvido com o esporte. Agora, sentado no banco, passando instruções aos goleiros e gritando para auxiliar o sistema defensivo. E vieram os títulos, um atrás do outro. De fato, uma experiência inesquecível.

Minha discussão com o Culica foi durante um jogo que ganhamos por 3 a 0 no primeiro turno da Liga. No início do ano já havíamos derrotado o LIC por 13 a 0 e 8 a 0. Ou seja, o trabalho do técnico Alex Silva, filho do Culica, já demonstrava resultados efetivos. No segundo turno a coisa foi ainda pior: 5 a 4 em um jogo duríssimo. Era o LIC crescendo, deixando de ser um time pequeno para tomar assento nos lugares intermediários da Liga. Era uma espécie de quarta ou quinta força de Florianópolis. No entanto, esse lugar ainda não estava garantido, em função da fragilidade de sua estrutura. E o Culica sabia disso. Quis proporcionar ao filho uma situação mais estável para desenvolver seu trabalho, um suporte com base em uma experiência anterior vencedora e que, por outro lado, o desafogasse dessa árdua incumbência.

O ano de 2005 começou a tentei colocar em andamento um projeto de marketing na Elase que explorasse o fato da equipe ser tricampeã estadual. A aceitação foi apenas razoável, já que o clube estava dividido em diversas células de poder. Não em sua diretoria, mas através dos pais, que formavam grupos de pressão. E não houve como sustentar por muito tempo minhas idéias, que se conflitavam com os anseios desses grupos. Senti-me desrespeitado e sem poder de decisão. Chegara, enfim, a hora de partir.

De pronto o LIC me acolheu.

Não foi uma acolhida fácil, afinal de contas, eu representava já naquela época a mudança, a novidade que muitos pais do clube receavam, por estarem mal acostumados e satisfeitos em ver seus filhos sem talento atuando - mesmo que humilhados pelos adversários. Naquele momento eu fui o pesadelo vivo dos genitores da garotada perna-de-pau, que não admitiam de forma alguma transformações radicais no status quo do clube. Cheguei a ouvir de um pai a seguinte frase: “Não venha com idéias competitivas que isso aqui não é a Elase.

Com o respaldo da diretoria, mas ainda sem um cargo, fui adentrando devagar, observando e analisando a situação. Conversando com o técnico e com a diretoria. A situação que encontrei me remetia ao filósofo italiano, Antonio Gramsci: pessimismo no intelecto e otimismo na vontade. Pessimismo por constatar a ausência de talentos, desestruturação material e falta de objetivos claros. Otimismo por acreditar que todos os vazios poderiam ser preenchidos com criatividade e trabalho, muito trabalho. Tracei meus planos e materializei a política de crescimento do futsal dentro do clube em um documento de 50 páginas chamado “Projeto de Marketing – Categorias de Base de Futsal – LIC 2005”. A base do projeto era a mesma do plano feito anteriormente para a Elase, mas tanto suas características quanto seus objetivos eram completamente diferenciados.

O projeto visava, antes de tudo, nortear todas as ações a se desenvolver dentro da modalidade no clube, determinando objetivos, metas, estratégias, logística e ferramentas de análise e execução. Fora isso, definia uma clara política de aproximação junto aos patrocinadores. Apesar das idéias estarem prontas e assentadas no papel, faltava o mais importante, o poder político para executá-las. Do outro lado, a oposição logo se apressou em contestar as intenções do projeto. O campo de batalha estava armado. Os participantes da contenda claramente definidos. Faltava somente começar a luta.

Status quo e projeto


LIC, do artilheiro João, disputa contra a Adesa, de Vinícius Manoel

O projeto de marketing elaborado para as categorias de base do Lagoa Iate Clube (LIC) partiu da preocupação fundamental de conferir uma característica ao trabalho a ser desenvolvido. Para isso foi necessário que se criasse um posicionamento coerente com os objetivos traçados em paralelo. Assim surgiu o tema “Plantando o Futuro com o Esporte”, núcleo de todas as ações desenvolvidas a partir do documento.

A situação do futsal no clube era bastante precária. Embora houvesse quatro categorias de competição (Sub-9, Sub-11, Sub-13 e Sub-15), nenhuma delas possuía um elenco capaz de alavancar resultados. Havia ainda a escolinha de futsal, com poucos garotos que arriscavam seus primeiros chutes sem uma clara metodologia de desenvolvimento técnico e motor na atividade.

A quadra tinha sido melhorada nos últimos anos, mas ainda assim a sua condição era péssima, com madeiras velhas e quebradas, falta de calafetação e suas próprias dimensões eram diminutas, não ultrapassando 28.00 x 15.60. Não havia qualquer equipamento para trabalho físico ou técnico além de surradas bolas de futsal. Cada equipe de competição possuía apenas um jogo de uniforme, convenientemente confeccionado na cor cinza para não confundir com as cores dos demais adversários, fulminando, dessa forma, a necessidade de um jogo reserva de uniformes.

Não havia qualquer indicativo dos resultados anteriores das equipes, nem estatísticas. No entanto, o LIC havia ganhado no ano anterior o Circuito Catarinense de Futsal (que não contou com as principais equipes do Estado) e o Circuito Metropolitano de Futsal (que não contou com as principais equipes de Florianópolis). Era uma espécie de campeão da segunda divisão.

Mesmo com toda a precariedade, o professor Alex Silva obtinha resultados satisfatórios para os pais, que não almejavam nada mais do que ver seus petizes competindo, mesmo que em uma escala de valores consideravelmente inferior. Exatamente por isso, não ficaram indiferentes à minha presença. Pelo contrário, iniciaram uma oposição que perdurou por anos e, mesmo enfraquecida no final, ainda se insurgiu nos momentos derradeiros da minha gestão no clube.

A princípio desacreditavam no projeto de marketing. Depois, quando as ações passaram a ser desenvolvidas com sucesso, questionavam minhas reais intenções. Faziam observações sobre a qualidade do crescimento vivenciado pela modalidade dentro do clube, alegando que excluía os associados. Na verdade, não excluía ninguém, apenas premiava quem possuísse méritos para tanto. Imperou a época da meritocracia no futsal. Foi algo muito salutar e que trouxe um engrandecimento para o clube jamais vivenciado até então – e acredito que isso envolva as demais modalidades.

Se por um lado o projeto de marketing feria frontalmente o status quo do futsal do LIC, por outro permitia que os filhos de associados se beneficiassem, em um primeiro momento, do processo de mudanças. Apesar disso, alguns deles decidiram deixar a modalidade. Costumávamos dizer que, “se um garoto não tem talento para jogar futsal em alto nível, acaba procurando o tênis”, que é um esporte em que se pode evoluir a partir do treinamento constante. No futsal não é assim. Ou você joga bola ou não joga. E ponto final.

Diante dessa observação, é certo concluir que a escolinha de futsal do LIC passou a ser vista com o objetivo de revelar novos talentos, aprimorando as qualidades técnicas já existentes na garotada. É claro, havia lugar para todos, mas somente alguns seriam efetivamente aproveitados nas equipes de competição. Na verdade, poucos, muito poucos.

Penso que quem pretende ser competitivo, independente da área de atuação, precisa definir claramente as suas prioridades, E isso envolve tomadas de decisão que nem sempre são agradáveis a todos os envolvidos no processo. Por exemplo, minha primeira medida para a transformação do futsal do LIC foi a isenção da mensalidade aos sócio-atletas. Na época pagavam R$ 25,00 para participar das equipes. A meu ver, já estavam colaborando com o clube dando o suor de sua participação em quadra para honrar as suas cores e a sua tradição.

O assunto foi levado à diretoria do LIC, mas não houve consenso na hora de decidir. Não me dei por vencido. Em uma reunião relâmpago entre eu, já nomeado diretor de futsal, o ex-vice-presidente de futebol do clube, Luiz Alves da Silva, e o ex-presidente do LIC, Mauro Candemil, decidimos pela isenção da mensalidade como melhor forma de atrair novos atletas que compusessem as equipes do clube com mais dignidade.

Candemil, um entusiasta pelo futsal e que na década de 1990 montou uma das melhores equipes da modalidade em Florianópolis, logo compreendeu a extensão dos meus propósitos e vislumbrou onde o clube poderia chegar.

A isenção da taxa foi a minha primeira vitória dentro do LIC. Foi emblemática e sinalizou a todos que muita coisa ainda estaria por vir. Sentia-me metendo o dedo na sobremesa de muita gente, mas na verdade, procurava apenas ser coerente com meu propósito de impulsionar a modalidade dentro do clube.

A diretoria de futsal


O presidente Mauro Candemil e eu discutindo as inovações no futsal

Em julho de 2005, o Lagoa Iate Clube (LIC) criou sua diretoria de futsal, cargo diretamente ligado à vice-presidência de futebol. Em outras palavras, eu e a modalidade inteira estávamos sob o confortável guarda-chuva do Culica, que capitaneava as ações por mim definidas logo de início. Eram as famosas “costas quentes” que eu tanto necessitava para levar adiante minhas intenções.

Como membro da diretoria, não fui dos mais assíduos às reuniões, por considerá-las chatas, desorganizadas e não profícuas. Meu negócio, desde o início, foi ação, tanto dentro quanto fora da quadra. Eu tinha certeza que teria que fazer muito para dar uma guinada nas condições da modalidade já naquele ano. Sempre fiz questão de frisar que o planejamento, aquilo que se coloca no papel, é muito importante, mas o “fazejamento” é fundamental. Penso que qualquer um tem a capacidade de pensar e escrever, bem ou mal, seus projetos. Mas colocá-los em prática é outra coisa. Exige empenho, responsabilidade e certamente jogo de cintura.

Enquanto os demais diretores e vice-presidentes discutiam assuntos diversos nas reuniões, eu tomava decisões na quadra e iniciava um projeto que teve como ponto de partida a aproximação junto aos patrocinadores. Desde cedo sabia que tínhamos toda a responsabilidade pelo nosso orçamento para cada temporada. Assim, logo iniciamos os contatos para buscar patrocinadores. Jamais admiti a idéia do “pires na mão”. Não ia aos empresários fazer pedidos de auxílio à modalidade, mas apresentava um plano com objetivos claramente definidos e ferramentas de exposição de suas marcas. Coloquei os meus conhecimentos de marketing à disposição do futsal.

E isso agradou.

Mesmo planejando com uma temporada de antecedência, tive que partir para uma ação efetiva de imediato – era preciso mostrar serviço. Ainda em 2005 o futsal do LIC deu um grande passo em direção ao futuro que lhe aguardava. Através de contato com a Semil Eventos, empresa promotora do Circuito Catarinense de Futsal, que naquele ano se teve o patrocínio das Malhas Malwee, conseguimos promover no clube as finais da I Copa Malwee de Futsal, nas categorias Sub-9 e Sub-11, que contou com 32 equipes de todas as regiões catarinenses. E os resultados foram excelentes: 3º lugar na categoria Sub-9 e vice-campeão na categoria Sub-11. Mais do que isso, o evento contou com mais de 800 pessoas/dia durante o fim de semana de sua realização. Os cofres da lanchonete e restaurante do clube agradeceram.

Outro resultado importante da iniciativa foi a exposição que o LIC passou a ganhar na imprensa (três páginas no Diário Catarinense), iniciando a consagração de sua imagem como um grande centro de realização de eventos de futsal de base em Florianópolis.

Após o evento, a diretoria do clube passou a enxergar o potencial da modalidade com outros olhos, conferindo maior apoio às minhas iniciativas. Eu continuava a evitar as reuniões de diretoria – a não ser quando houvesse algum assunto realmente importante para o futsal. Mas minha presença em quadra já se tornara marcante. As equipes começaram a modificar o seu perfil, tanto em relação aos jogadores quanto ao próprio padrão de jogo, já que acrescentei minha visão de jogo mais defensiva ao padrão estipulado pelo técnico Alex Silva.

Naquele ano, quem enfrentava o LIC, independente da categoria, sabia que teria que suar muito para obter uma vitória, pois o sistema defensivo era bastante agressivo. E não poderia ser diferente, já que faltava aos nossos elencos maior qualidade técnica. E esse foi um problema que não se resolveu nem a curto nem a médio prazos. Na verdade, ninguém queria jogar no LIC, clube que lutava com unhas e dentes para firmar-se como a quarta força em Florianópolis. A imagem de time fraco das temporadas anteriores ainda se fazia presente no meio salonístico. E, para revertê-la, seria preciso muito mais do que um simples aporte de recursos financeiros. Eu sabia disso e decidi programar, em 2006, as bases para uma mudança real, concreta, em 2007.

Obviamente a diretoria me apoiou em todas as empreitadas e 2005 terminou como um ano positivo. Pela primeira vez em sua história o futsal do LIC tinha um alinhamento de ações e claras perspectivas de crescimento para a temporada seguinte. Como não havia interferido ainda nos elencos das equipes, pelo menos não de forma muito incisiva, a oposição inicial parece ter se acalmado.

Só que a diretoria do clube e o próprio vice-presidente de futebol passaram a sonhar com títulos e isso exige equipes competitivas. Ainda assim, em 2005, o LIC conquistou oito troféus (quatro de campeão e quatro de vice-campeão) em competições de segunda categoria. Era preciso investir muito para disputar com competitividade os principais campeonatos de Santa Catarina.

No período de férias, enquanto todos descansavam, fui a campo para materializar o projeto de marketing do futsal. Em contato com os empresários, expus minhas idéias e objetivos e obtive apoios muito importantes, como o do Colégio Tendência, Brasil Telecom, Pieri Sport. A esses se somavam os antigos patrocinadores da modalidade no clube: Sul Imagem e JAN Bebidas. O processo de negociação foi longo, mas bastante proveitoso, já que garantiu o orçamento para a temporada seguinte.

I Copa Malwee


Copa Malwee, um evento bastante concorrido e muito disputado

As finais das categorias Sub-9 e Sub-11 da I Copa Malwee de Futsal foram realizadas no ginásio do Lagoa Iate Clube, em outubro de 2005. Havia um custo a ser pago para a captação do evento: R$ 3.500,00. Felizmente, o vice-presidente de futebol do clube, Culica, tinha esse dinheiro em caixa. Era a “rapa do tacho” do orçamento de 2005. Ainda assim, o LIC resolveu apostar na força da competição, que carregava consigo um bom projeto de mídia.

Foram três páginas de divulgação no Diário Catarinense. A primeira, uma semana antes do evento, mostrando a estrutura oferecida pelo clube. De acordo com o coordenador da Copa, Milton Rodrigues, da Semil Eventos, a matéria publicada despertou o interesse de diversos clubes, que procuraram conciliar a disputa a um bom programa de lazer na Lagoa da Conceição. A segunda página trabalhou os aspectos competitivos do evento, dando espaço para o técnico Alex Silva divulgar o seu trabalho, já que no ano anterior ele havia conquistado o título de campeão Sub-11. A terceira e última página mostrou os resultados e as fotos das equipes vencedoras. A marca LIC começava a ser associada ao futsal de base.

Para fortalecer ainda mais a divulgação da Copa Malwee, Culica conseguiu uma entrevista na rádio CBN e TVCom, com o jornalista Luiz Carlos Prates. Durante uns 10 minutos fui entrevistado sobre a competição, as repercussões para o clube, o futsal de base e o trabalho que estávamos desenvolvendo no LIC. Falei também da estrutura que oferecíamos aos clubes visitantes e do esforço da diretoria para que a realização das finais da I Copa Malwee fosse perfeita na organização e inesquecível para todos os participantes.

Foi decido que a competição seria disputada nas duas quadras do ginásio de esportes do LIC. Na quadra 1, a categoria Sub-11; na quadra 2, a categoria Sub-9. Sem apresentar uma divisão estrutural entre as duas quadras, que até hoje são separadas por uma rede, a alternativa foi utilizar dois tipos de apito diferentes para não confundir os jogadores. Na prática essa medida acabou funcionando, apesar de algumas pessoas terem reclamado – os chatos de plantão.

Os jogos foram sendo realizados e tanto a equipe Sub-9 quanto a Sub-11 chegaram às semifinais. O Sub-9 acabaria tropeçando nessa fase, e tendo que se contentar com o terceiro lugar. Já o Sub-11, principal equipe do clube naquele ano, passou facilmente pelo seu adversário e chegava a final acreditando no bicampeonato. A caminhada rumo à final não foi nada fácil. No primeiro jogo, uma vitória por 6 a 2 sobre o Viva Futsal, de Itapiranga abria o caminho para a equipe na fase de grupos. Em seguida, um confronto dificílimo: 5 x 4 contra a equipe do Papanduva. Já no mata-mata, o LIC teve que enfrentar novamente o Papanduva e dessa vez ocorreu um empate em 2 a 2. A decisão foi para os pênaltis e o time da Lagoa da Conceição acabou vencendo por 3 a 2. Passado o susto, nas quartas-de-final, um adversário teoricamente muito forte, o Palhoça, que veio reforçado pelos jogadores do Clube Doze de Agosto, um dos melhores do Estado naquele ano. Mais uma vez o LIC venceu, agora por 5 a 2 com sobras. Na semifinal, um encontro inusitado, contra o CME Laurentino, de Rio do Sul, equipe que trazia uma garota em seu elenco. Apesar disso, não foi páreo para o LIC, e sofreu uma acachapante derrota por 7 a 1.

Na final, dessa vez, teríamos que enfrentar uma equipe de primeira linha para tornar possível o sonho do bicampeonato. Do outro lado da quadra estava a Elase, que vinha mordida por ter perdido meses antes para o LIC pela primeira vez em sua história. O jogo foi tenso e equilibrado, com os goleiros se destacando dos dois lados. Apesar da nítida diferença qualitativa entre os elencos, o LIC demonstrou ter um espírito aguerrido e nivelou as forças dentro do campo de batalha. Mas não deu. No fim prevaleceu a melhor qualidade técnica do adversário que, em um gol de contra-ataque no final do jogo, deu números finais a partida: 4 a 3 para a Elase.

Derrotados, mas não abalados, por reconhecer a qualidade superior do adversário (a quem haviamos derrotado por 3 a 2 na Liga de Florianópolis e empatado em 1 a 1 na etapa regional da I Copa Malwee ), os jogadores do LIC ergueram o troféu diante do pais e receberam muitos aplausos, inclusive dos adversários.

No pódio dos melhores atletas, o clube colocou o goleiro Victor, o menos vazado da competição, e o artilheiro João da Rosa. Ficou o gosto amargo da derrota misturado em minha boca com o adocicado prazer de ver meu filho Victor no pódio, em destaque, como o melhor da competição pela segunda vez em sua vida.

Essa derrota entrou para a história do clube como o marco inicial da grande rivalidade entre Elase e LIC nas quadras. Claro, para a Elase, essa rivalidade começou no primeiro jogo, quando foram derrotados por nós, se acirrou com o empate no segundo jogo e se estabeleceu definitivamente quando eles conquistaram o título da I Copa Malwee em pleno LIC.
.
Naquele momento, era levantar a cabeça e seguir disputando as competições de 2005.

Os resultados em 2005


LIC coloca quatro jogadores e o técnico na seleção de Florianópolis

As equipes do Lagoa Iate Clube (LIC) obtiveram bons resultados nas competições regionais e estaduais. No Circuito Catarinense de Futsal conquistaram dois terceiros lugares na fase final (categorias Sub-9 e Sub-15) e um vice-campeonato (categoria Sub-11). A categoria Sub-13 conseguiu uma sexta colocação que, em função da qualidade técnica da equipe, pode ser considerado um excelente resultado.

Foram conquistados quatro títulos na temporada, nas etapas regionais do Circuito Catarinense de Futsal. Na Liga de Florianópolis, a melhor colocação foi a do Sub-15, que ficou em terceiro lugar. Embora no ano anterior o clube tenha conquistado dois títulos mais expressivos (o título do Circuito Catarinense de Futsal Sub-11 e o título do Campeonato Metropolitano (ACR), também na categoria Sub-11), os resultados de 2005 saltaram à vista, já que as conquistas ocorreram nas quatro categorias, e não somente em uma.

Além disso, é preciso ressaltar que em 2004, a Elase, campeã do Circuito Catarinense de Futsal 2005 e do Campeonato Metropolitano (ACR) 2005, não havia participado desses eventos, facilitando a vida do LIC. Em 2004, por uma coincidência de datas, a Elase – campeã regional de Florianópolis do Circuito naquele ano – não pode participar da final da competição, que ocorreu no mesmo dia da etapa decisiva do Campeonato Catarinense de Futsal, cujo título conquistou.

Indiferente aos motivos do clube co-irmão, o LIC conseguiu duas conquistas históricas em 2004, ano em que passou a lutar para firmar-se como força intermediária no futsal de base de Florianópolis – o que somente viria a ocorrer um ano mais tarde. Como prova da sua evolução, em 2005, no final da Liga de Florianópolis, a equipe Sub-11 do LIC cedeu à seleção local quatro atletas (Victor, Aquiles, Rodrigo e João) e o técnico Alex Silva,

Abaixo, os resultados das equipes em 2005:

Categoria Sub-9 (Fraldinha)

· Campeão da etapa regional de Santo Amaro da Imperatriz do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· Vice-campeão da etapa regional de Florianópolis do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· 3º lugar na final estadual do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· 3º lugar no Campeonato Metropolitano (ACR)
· 5º lugar na Liga da Grande Florianópolis


Categoria Sub-11 (Pré-mirim)

· Campeão da etapa regional de Santo Amaro da Imperatriz do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· Campeão da etapa regional de São José do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· Vice-campeão da final estadual do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· 3º lugar no Campeonato Metropolitano (ACR)
· 4º lugar na Liga da Grande Florianópolis
· Troféu Fair Play na Liga da Grande Florianópolis

Categoria Sub-13 (Mirim)

· Vice-campeão da etapa regional de São José do Circuito Catarinense de Futsal
· 6º lugar na final estadual do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)


Categoria Sub-15 (Infantil)

· Campeão da etapa regional de Palhoça do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· Vice-campeão da etapa regional de São José do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· 3º lugar da final estadual do Circuito Catarinense de Futsal (I Copa Malwee)
· 3º lugar no Campeonato Metropolitano (ACR)
· 3º lugar na Liga da Grande Florianópolis

Colocando o projeto em ação


O projeto de marketing trouxe para a modalidade vários patrocinadores

O ano de 2005 ainda não havia chegado ao fim, mas a necessidade de colocar em prática todas as ações definidas no “Projeto de Marketing – Categorias de Base de Futsal – LIC 2006” me impulsionaram a ir a campo. O primeiro passo era correr atrás de patrocínios. Tracei a estratégia de conseguir um patrocinador âncora para as equipes e patrocinadores e secundários, assim como empresas de apoio. Essas definições simplesmente se materializariam nos uniformes das equipes. Ou seja, o patrocinador principal teria sua marca estampada frontalmente nas camisas.

Se o problema fosse somente esse estaria tudo tranqüilo. Mas, na verdade, a questão dos uniformes foi apenas secundária. De qualquer forma, fui à Pieri Sport, que vinha fornecendo os equipamentos ao clube e propus uniformes diferenciados para todas as categorias. Preocupamos-nos em escolher sempre os melhores designs e as melhores malhas e, assim, em 2006 as equipes se apresentaram condignamente trajadas em todas as competições.

Ainda em dezembro de 2005, procurei inicialmente a Brasil Telecom para ancorar o projeto. O documento foi encaminhado à diretoria de marketing da empresa, em Brasília, mas, devido às drásticas mudanças em sua direção, essa operadora de telefonia cortou substancialmente seus investimentos em marketing esportivo. E veio cortando gradualmente até ter sido comprada pela concorrente Oi. Mas o projeto havia impressionado a direção regional da empresa, que propôs investir uma quantia menor (a proposta original foi de R$ 30 mil anuais). No fim, houve um repasse de R$ 4.500, a título de participação no projeto “Plantando o Futuro com o Esporte”, que naquele ano daria seus passos iniciais no Lagoa Iate Clube. Como contrapartida, além de ter sua logomarca estampada no lado direito frontal da camisa, o clube promoveu a I Copa 14 de Futsal, uma espécie de torneio de pré-temporada, com equipes regionais. O LIC venceu nas duas categorias, Sub-9 e Sub-11.

Diante da posição da Brasil Telecom quanto ao projeto, ainda havia a necessidade de se buscar um patrocinador âncora. O Colégio Tendência poderia ser uma solução, mesmo porque, vinha colaborando regularmente há dois anos com uma pequena quantia mensal para as nossas categorias de base de futsal. Levei a eles o plano de marketing e, mais uma vez, foi demonstrado o interesse. Após um longo mês de negociações, o professor e diretor da escola, Jairo Palma, decide ancorar o projeto, mas investindo apenas 1/3 do valor proposto. Não foi o ideal, mas o possível.

Já tínhamos uma empresa âncora e um patrocinador secundário. Mas a fria realidade dos números nos levava à necessidade de conseguir outro patrocinador secundário. E ele já existia, na verdade. Tratava-se da Sul Imagem, empresa que vinha ajudando há alguns anos o LIC a sustentar suas equipes de base de futsal – entre outras ações. Na verdade, não houve um grande trabalho de captação e sequer de ampliação dos valores mensais do investimento. Não foi feito também um contrato formal, já que os recursos eram repassados diretamente ao vice-presidente de futebol do clube, o Culica, que, por sua vez, repassava à diretoria de futsal para os gastos ordinários. Um relacionamento amador e feito à base da amizade.

Dessa maneira, tínhamos um orçamento superior a R$ 20 mil anuais em dinheiro, mais R$ 4 mil em uniformes. Outros valores não foram contabilizados dentro do orçamento, como a água mineral fornecida pela JAN Bebidas a cada rodada, ou as bolas que nos eram cedidas pela Pieri Sport através de um antigo acerto entre o Culica e a direção dessa empresa de material esportivo. Com a finalidade de valorizar a parceria, criamos um evento no final do ano, a Copa Pieri de Futsal, com participação das equipes Sub-13 e Sub-15 – que não haviam disputado a Copa 14 de Futsal. A Copa Pieri de Futsal teve a função de oferecer uma alternativa de competição em Florianópolis. Por ser gratuita, tornou-se bastante atrativa e, nela, o LIC obteve dois vice-campeonatos.

Mais dois passos adiante deveriam ser dados. O primeiro, iniciar a reformulação e fortalecimentos dos elencos das quatro categorias. Em 2006, especialmente a categoria Sub-11 se ressentia de uma equipe mais competitiva. Era justamente o time do meu filho. Como os principais atletas das equipes adversárias não tinham a menor intenção de apostar no novo projeto de futsal do LIC, tivemos que buscar alternativas. Assim, alguns meninos rejeitados em outros clubes, que já possuíam seus elencos formados, vieram compor as equipes do LIC.

O Sub-13, que já tinha uma boa base montada, chegou a receber vários reforços, que o encorparam, permitindo que tivesse um mínimo de competitividade. O Sub-15 também recebeu reforços, que o ajudaram a manter seu nível competitivo, embora a equipe de 2006 fosse nitidamente inferior a de 2005. Já a equipe Sub-9 foi uma grata surpresa. Recebeu alguns reforços, mas manteve a base do ano anterior, o quem possibilitou vencer o Circuito Catarinense de Futsal e conquistar o vice-campeonato da Liga de Florianópolis.

O segundo passo adiante foi a construção de um forte aparato de comunicação para as categorias de base. O projeto definiu claramente qual seria o escopo de atuação da assessoria de imprensa: mídia convencional (jornais, tevê etc), jornal interno, jornal mural, sites e blogs. Além dos espaços de divulgação, o projeto definia a necessidade de se convencer a mídia sobre a importância do futsal de base, buscando maior aproximação.

A primeira medida foi divulgar a I Copa 14 de Futsal junto à imprensa. Na época, apenas o AN Capital (jornal A Notícia) cobria esporte amador. Conseguimos um bom espaço, meia página na seção esportiva. Depois da competição, foi publicada a primeira edição do Jornal do Futsal (JF), o informativo interno da categoria, nas versões mensais em preto e branco (distribuída aos associados do clube, pais e jogadores de futsal) e colorida (Jornal Mural, nos hot points do LIC, localizados na lanchonete e na entrada da quadra). Logo em seu lançamento, o JF foi um sucesso, esgotando os 150 exemplares que foram impressos. Tivemos que fazer mais uma tiragem extra para atender a demanda, especialmente porque certa quantidade de jornais foi colocada na Liga de Florianópolis à disposição das equipes adversárias.

O futsal já possuía um acervo fotográfico de sua trajetória através do site LIC Futsal Mania, administrado por Iuri Schlüter, grande colaborador da modalidade no clube e que, posteriormente, viria a se tornar diretor de futsal do LIC no ano de 2008. Em dezembro de 2005, Iuri já havia editado um CD com fotografias das participações das equipes do clube em várias competições. Cada pai recebeu o seu no final da temporada. Um belo presente de Natal. Na temporada 2006, o LIC Futsal Mania continuou ativo e foi remodelado em função das novas demandas e do próprio crescimento da modalidade no clube. Além do site “oficioso”, foi criada uma seção específica no novo site do Lagoa Iate Clube que tratava de futsal. Na seção podia se visualizar as competições, resultados, estatísticas, equipes, escolinha, material fotográfico, próximos jogos, artigos, notícias, entrevistas, links interessantes e tudo o mais que se relacionasse a modalidade no clube, incluindo os patrocinadores e colaboradores. Sem dúvida um grande avanço na comunicação desse esporte junto a seus atletas, pais e público externo. O site, inclusive, foi referência para intercâmbio de informações e convites para participações em eventos esportivos.

Ferramentas de marketing



O sucesso do “Projeto de Marketing – Categorias de Base de Futsal - LIC 2006” foi conseqüência de uma análise mais aprofundada de como funcionava o futsal de base em Santa Catarina naquele momento, em que o cenário técnico convivia com mudanças constantes no regulamento, inclusive determinando, em 2004, a modificação da idade limite para as categorias de base, que passaram a ter outra nomenclatura. Ao invés de Fraldinha (Sub-8), passou a chamar-se Sub-9; ao invés de Pré-Mirim (Sub-10), passou a chamar-se Sub-11; ao invés de Mirim (Sub-12), passou a chamar-se Sub-13; ao invés de Infantil (Sub-14), passou a chamar-se Sub-15; ao invés de Infanto-Juvenil (Sub-16), passou a chamar-se Sub-17 e; ao invés de Juvenil (Sub-20), passou a chamar-se Sub-20.

Analisando friamente, pude observar que os clubes que fidelizavam seus patrocínios ou ainda aqueles que recebiam recursos advindos de patrocinadores recém conquistados eram os que mais longe chegavam nas competições. Obviamente quem fidelizava, por ter maior segurança orçamentária, podia estabelecer melhor suas diretrizes para a temporada seguinte. Ainda assim, sempre houve muito amadorismo nas categorias de base em relação aos projetos orçamentários. Costumava-se utilizar a “política do pires na mão”, ou seja, os dirigentes se aliavam aos pais e partiam para o mercado em busca de ajuda financeira, sem esclarecerem claramente aos pretendidos mecenas qual seria o ROI (Return On Investiment). Sim, o retorno sobre o investimento, prerrogativa básica de qualquer negócio viável.

Eu costumava dizer – e ainda digo – que não é pelo futsal ser um esporte amador que a sua infra-estrutura tem que ser amadora. E isso serve para qualquer esporte.

Utilizamos algumas ferramentas de análise que foram essenciais para a execução do projeto, como a Matriz SWOT, na qual avaliamos nossos pontos fracos, pontos fortes, oportunidades e ameaças. Essa ferramenta nos permitiu vislumbrar que tínhamos muito a ganhar, mas um longo caminho a percorrer durante os dois anos seguintes para que se pudesse obter resultados concretos. Analisamos também todas as forças competitivas que compunham o corpo do nosso campo de atuação. Através dessa análise pude enxergar claramente que havia muito espaço a ser explorado, muito vazio deixado pela concorrência, que não tinha se pautado em projetos profissionais de marketing. Meu único receio era a mudança do cenário de estabilidade econômica, que poderia afetar o mercado, reduzindo a capacidade de investimento dos patrocinadores. Obviamente, a parte mais frágil do “ossinho em Y da galinha” seria justamente o futsal. Mas me mantive sempre otimista.

Se por um lado a parte analítica do projeto me permitiu visualizar a situação da forma mais realista possível – inclusive sabendo quais os riscos a que estaríamos nos submetendo -, a sua parte instrumental criou alternativas para divulgação das marcas (inclusive a nossa) nos diversos meios de comunicação utilizados. Por outro lado, a definição da logística necessária para o pleno funcionamento das nossas atividades deu a exata dimensão do que seria racional em termos de investimentos para tornar o futsal financeiramente possível.

É preciso destacar que o clube jamais colocou dinheiro para o funcionamento da estrutura da nossa modalidade. Pelo contrário, acabou recebendo a arrecadação das escolinhas de futsal, que foram crescendo progressivamente entre 2005 e 2007, até chegar a 70 alunos. Com os recursos vindos da escolinha, o clube conseguia arcar com as despesas de energia elétrica, professor e estagiário dentro da modalidade.

Fora isso, o esporte tornou-se bastante lucrativo para o clube em função dos eventos promovidos, que geravam um considerável aumento de receita tanto no restaurante quanto na lanchonete. Mesmo quando não ocorriam jogos ou eventos de futsal dentro do LIC, a lanchonete lucrava com os pais que aguardavam o fim do treinamento dos filhos e com os próprios filhos que, após os treinos, iam repor líquido e energia consumindo os mais diversos carboidratos no local. Era um ativo que não podia deixar de ser considerado – especialmente quando o futsal praticamente não deixava passivo no clube.

Outra medida adotada pela diretoria de futsal, que fugiu ao escopo do projeto, mas veio em muito boa hora, foi a adoção das camisetas para as escolinhas. Na verdade a idéia se estendeu a todas as modalidades esportivas. Com os recursos da arrecadação da venda das camisetas, o clube poderia adquirir bolas e outros materiais para as diferentes categorias. Nos dois primeiros anos essa idéia deu certo – pelo menos para o futsal, uma modalidade muito ativa e em ascensão. No entanto, com a troca de diretoria, em 2008, os recursos da venda das camisetas caíram na vala comum da arrecadação do clube. Em conseqüência disso, as dívidas do clube para com os nossos fornecedores não foram saldadas, sob a alegação de que havia outras prioridades. Problema do clube, não da modalidade, já que o dinheiro para a aquisição do material foi arrecadado e desviado para outras finalidades. Má gestão de recursos.
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O projeto não especificou claramente a necessidade de se fazer investimentos em estágios e na aquisição de novos equipamentos para modernizar a estrutura do futsal. Mas, com a racionalização dos processos logísticos e conseqüente redução dos custos operacionais, conseguimos obter uma sobra orçamentária para investir nessas duas áreas, qualificando a comissão técnica e as condições e metodologia de ensino e treinamento, que formaram parte da base de apoio para o sucesso do clube nos anos seguintes.

Acredito que o aspecto mais marcante do projeto de marketing do clube tenha sido o posicionamento da modalidade: “Plantando o Futuro com o Esporte”. Esse posicionamento vislumbrava bem mais do que o desenvolvimento individual dos atletas através da prática esportiva, ou mesmo do futsal como célula de negócios dentro do clube. Estava se falando em uma perspectiva que viabilizasse o próprio LIC como clube nos próximos anos. Uma alternativa ao conceito falido de clube social ou clube de eventos sociais, um pensamento modorrento de pessoas arcaicas que não conseguem enxergar com clareza a realidade dos dias atuais.

Eventos em 2006

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O churrasco do final do ano de 2006 marcou a despedida do Culica junto à família futsal do clube

A efervescência do novo modelo de futsal do LIC culminou com a realização de diversos eventos ligados ao esporte em 2006. O primeiro deles foi a I Copa 14 de Futsal. Competição destinada às categorias Sub-9 e Sub-11, reuniu as equipes do Colégio Nossa Senhora de Fátima, Colégio, Colégio Energia, Escolinha de Futsal do LIC e LIC. Cerca de 300 pessoas, entre atletas e torcedores, estiveram presentes ao evento, que ocorreu no final de março. O LIC ficou com o título nas duas categorias, ambas vencendo a todos os adversários.

Quarenta dias mais tarde, em maio, foi promovida a I Copa Pieri Sport de Futsal, que reuniu um público de 250 pessoas no ginásio do clube. Participaram os times do Colégio Coração de Jesus, a União Josefense, o Palhoça, a Adesa, o Colégio Continente, o Colégio Energia e, é claro, o LIC, que foi vice-campeão nas duas categorias, tendo perdido a decisão Sub-13 para a União Josefense e a Sub-15 para a Adesa.

Ainda em maio, o Colégio Tendência realizou as Olimpíadas do Tendência, com a participação de 860 alunos durante dois dias de competição. Foram utilizadas as quadras cobertas, a quadra descoberta e os campos de futebol do clube.

Em junho, o LIC promoveu a etapa regional do Circuito Catarinense de Futsal (II Copa Malwee), que reuniu dez categorias no ginásio do clube. Inclusive o próprio LIC montou uma equipe adulta para participar do evento, chegando à terceira colocação. Os melhores resultados foram obtidos pelas equipes Sub-9, Sub-11 e Sub-15, todas campeãs. Mais de mil pessoas compareceram ao ginásio de esportes, que ficou lotado durante os dois dias de competição.

Em outubro, o clube promoveu as finais do Circuito Catarinense de Futsal nas categorias Sub-9 e Sub-11. Mais uma vez, mas de mil pessoas de todo Estado compareceram ao LIC, que ganhou mais três páginas de espaço para promover o evento no Diário Catarinense. Favorito na categoria Sub11, o LIC foi surpreendido nas quartas-de-final pela equipe de Bom Retiro. O time Sub-11 foi reforçado por dois atletas da Elase – que não podia participar da competição por força do regulamento, que limitava a participação de apenas dois atletas federados por equipe – e esse fato ocasionou um princípio de desavença no grupo, especialmente entre os pais, que desejavam ver seus filhos atuando a todo custo.

Já o Sub-9, que não era favorito, foi uma grata surpresa. Venceu a final e deixou na coleção de troféus do clube o seu segundo título em uma competição de caráter estadual. Pela primeira vez na história do Circuito Catarinense de Futsal foram convocadas seleções catarinenses. No LIC houve a convocação das seleções Sub-9 e Sub-11. No Sub-9, foram convocados o goleiro Thor, o fixo Fabian e o ala Paulo Murilo. Posteriormente foi convidado o ala Adrianinho, destaque da competição. Na categoria Sub-11 foram convocados o goleiro Victor e os alas Rafael e Vinícius – ambos tomados de empréstimo à Elase.

É importante ressaltar que, ainda em 2006, foram convocados para a seleção catarinense Sub-13 o goleiro Aquiles e o ala João da Rosa. A convocação da categoria ocorreu em Presidente Getulio, local onde ocorreu a final do Sub-13 – o LIC ficou em 5º lugar. Foram convidados posteriormente para atuar pela seleção Sub-13 os alas Digo e Felipe.

Em novembro, ao apagar das luzes das competições de futsal, foi organizado um evento cultural pelo Colégio Tendência nas dependências do clube, reunindo cerca de 800 pessoas em uma tarde-noite repleta de apresentações de grupos de estudantes. Algo diferente e marcante, que envolveu a programação do futsal de uma forma indireta e deixou um bom retorno no caixa da lanchonete. Fez parte do ativo não contabilizado para o futsal.

No fim da temporada, em dezembro, outros dois eventos marcariam definitivamente o projeto do futsal no clube. O primeiro foi a entrega do Prêmio Pieri Sport de Futsal para os melhores atletas, técnicos e dirigentes da Liga de Florianópolis em 2006. Vários representantes e torcedores dos clubes da cidade se reuniram no restaurante panorâmico do LIC. Uma festa e tanto, que premiou quatro atletas do clube, o técnico e a mim, embora eu faça questão de afirmar que quem venceu não fui eu, mas sim o nosso projeto de marketing.

Durante a entrega dos troféus ocorreram algumas gafes inesquecíveis. A principal foi a do então presidente da Liga de Florianópolis, Jackson Rocha, que conduziu toda a cerimônia. Indiferente á presença do patrocinador do evento, o empresário Júlio Pieri, Jackson enalteceu o apoio do concorrente, Dionei Bittencourt, dono da Chero’s Sport, por fornecer medalhas e troféus para a Liga. O Troféu Pieri Sport, embora tivesse premiado os melhores da Liga naquele ano, acatando as indicações da própria entidade, não estava diretamente relacionado com as premiações regulares para campeões, vices, terceiros lugares, quartos lugares, artilheiros e fair play. Da minha parte cometi um erro gritante: esperar que o presidente da Liga se mobilizasse para organizar a festa. Com tudo feito às pressas – os convidados já haviam começado a chegar e as mesas sequer estavam organizadas -, não era de se estranhar que faltasse alguma coisa. E faltou, o serviço do restaurante. Convidados sentados à seco no recinto.

Na mesma semana da entrega dos troféus da Liga de Florianópolis, o futsal do LIC promoveu a sua grande festa de encerramento da temporada, com a premiação aos melhores do ano. O evento reuniu toda a comunidade do futsal para um churrasco que teve como ponto alto a presença do vice-presidente de futebol, o Culica, que naquele momento, sem saber, se despedia de todo o grupo, a família futsal do LIC. O churrasco, feito meio que na base do improviso, acabou depois da meia-noite. Feita a limpeza da área da churrasqueira, tivemos que correr para casa, já que no dia seguinte, às 6 horas da manhã, estávamos de pé para enfrentar a BR-101 até Jaraguá do Sul, onde se realizaram os jogos das seleções catarinenses contra as equipes da Malwee Futsal.

Aprimoramento metodológico

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Em meados de 2006 havia um questionamento entre os membros da comissão técnica do LIC: ser o campeão das competições de nível B ou partir para um desafio maior, ingressando no Campeonato Catarinense de Futsal?

A resposta foi conclusiva: as duas coisas, mas em categorias diferentes.

Conscientes de que diversas medidas deveriam ser adotadas para que isso viesse a ocorrer, decidimos dar o primeiro passo em direção à competitividade, o aprimoramento da nossa metodologia técnica e tática. Assim, tanto o professor Alex Silva quanto eu passamos uma semana nas instalações da Malwee Futsal realizando um estágio coordenado pelo técnico Fernando Ferretti, tendo como professores, além dele, seus auxiliares Marcos Moraes, João Romano, Fred Antunes e Kleber Rangel. Foi uma verdadeira imersão no complexo mundo do futsal.

Estudamos novas metodologias de treinamento, análises táticas, preparação de goleiros, metodologias de supervisão e marketing e outras formas de se lidar com um esporte como o futsal. Mais do que isso, o intercâmbio com treinadores de diversos clubes, inclusive de agremiações internacionais, nos permitiu absorver práticas diversas que poderiam ser utilizadas em nosso dia-a-dia. E foi exatamente isso o que fizemos.
O estágio foi realmente incrível e aconselho a todos que ainda não o fizeram, que um dia se inscrevam nessa empreitada. Poder vivenciar o cotidiano do principal clube de futsal do Brasil, um dos dois melhores do planeta, é algo que deixa sempre uma forte impressão. Conviver com grandes jogadores como Falcão, Leco, Chico, Willian, Valdin, e muitos outros craques foi inesquecível.

Nos bares das redondezas passávamos nossas noites após as aulas. Conversávamos sobre tudo, ríamos das nossas piadas, fazíamos comparações entre jogadores, discutíamos o que tínhamos ouvido dos professores. Relaxados, íamos para os quartos do prédio da Malwee, dormir um pouco, pois a rotina do estágio exigia que chegássemos pela manhã, bem cedo. No caminho para o Parque Malwee, tomava café em um posto de gasolina, lia as manchetes dos jornais e ia direto para a quadra.

Durante o estágio, conversei bastante com o preparador de goleiros, Fred Antunes. Pude observar que em sua metodologia estava aliado aos exercícios de goleiro um programa específico para melhorar a agilidade. Meu conhecimento sobre o assunto até então era limitado a minha experiência como goleiro de futebol de campo na década de 1970 e goleiro de futebol de areia nos três primeiros anos da década seguinte. Quando passei a preparar goleiros de futsal, adquiri livros e DVDs para me atualizar, mas jamais havia visto o método empregado pelo preparador da Malwee Futsal. Mais tarde, pude observar que, mesmo no futebol de campo, os preparadores de goleiro estão empregando sistemas de treino bastante similares. Mas já havia percebido que a grande diferença entre a preparação nas duas modalidades é a quantidade de repetições de cada exercício. O futebol é mais lento, mas exige mais resistência, já que a força é utilizada por períodos de tempo maiores durante as defesas. Há também a questão das dimensões do campo e da baliza. Já o futsal exige alta concentração e velocidade. Muita explosão em curtos espaços de tempo. A exigência, nesse caso, é o aumento da velocidade nas seqüências, porém com limite de três ou quatro repetições. Isso se chama simulação das condições reais de jogo.

Concluído o estágio, voltamos ao LIC repletos de idéias na cabeça. Como estagiamos durante as férias de julho, a volta das equipes prometia muitas novidades. E elas ocorreram. Tanto o Alex quanto eu modificamos nossas metodologias de treinamento, equalizando-as com o que vimos na Malwee Futsal. Alguns dias mais tarde chegaram os novos equipamentos. Cintos de tração, cones e discodonis passaram a fazer parte da nova rotina de treinamentos do clube. Passamos a aprimorar tanto as qualidades físicas quanto as técnicas dos atletas. Procuramos melhorar também os sistemas táticos, mas a resposta a esse último item foi bem mais lenta, uma vez que nem todos os atletas conseguiam acompanhar as novas exigências. A partir desse momento, em nossas cabeças, a peneira para o próximo ano havia começado.

No que se refere aos goleiros, continuei fazendo um acompanhamento através dos testes regulares bimensais (metodologia que eu já havia adotado desde a época da Elase) que mediam vários aspectos, como potência de braços e pernas, resistência, elasticidade, força, velocidade de reação, velocidade de execução, habilidade, coordenação motora e antropometria. Agora, para me auxiliar na preparação dos goleiros, além dos testes regulares passei a utilizar o scaute como ferramenta de trabalho.

Por sua vez, o Alex iniciou uma rotina de atividades meio lúdicas que exigiam destreza e velocidade de raciocínio dos jogadores com a bola nos pés. Essas dinâmicas, se houvessem sido aplicadas anteriormente, poderiam ter resultado em maior aprimoramento das qualidades técnicas e táticas dos atletas do clube. Colocando a metodologia em prática, fomos nos especializando em ministrá-la aos jogadores.

A próxima temporada prometia muito, já que era preponderante a necessidade de se aprimorar o grupo que iria participar do Campeonato Catarinense de Futsal em 2007. A equipe escolhida para essa façanha foi a Sub-13, que possuía a base de jogadores mais forte no clube e que, por isso mesmo, não daria tanto trabalho para tornar-se altamente competitiva a partir do enxerto de talentos vindos de outras agremiações.

Mas...de onde viriam os novos jogadores? Como convencê-los a vir jogar pelo LIC, um clube que não possuía tradição esportiva recente na modalidade? E mais: como viabilizar todo esse projeto a curto prazo? Essas eram as perguntas que nos fazíamos no final de 2006.
As respostas vieram de maneira contundente.

Formando a nova equipe


Gabriel, de verde, e Vinícius, reforços para 2007

Problemas são como batatas e o melhor descascador do mundo só descasca uma batata de cada vez. Em outras palavras, fomos enfrentando um a um os problemas que tivemos pela frente para montar a forte equipe de 2007. Uma coisa era manter-nos na situação de ser um dos melhores times de futsal de categoria B de Santa Catarina. Outra coisa era entrar na briga com os verdadeiramente melhores do Estado. Exigiria a formação de um grupo forte, investimentos pesados em infra-estrutura, como reformar nossa quadra e adquirir um placar eletrônico, firmar contratos com maior montante, já que os custos para participar do Campeonato Catarinense de Futsal são significativamente mais altos. Na verdade, é o volume de arrecadação que determina se uma equipe é grande ou pequena. Numa grande equipe, as despesas mais elevadas exigem maior aporte financeiro, ou seja, dinheiro. O restante, como tradição e torcida, em categoria de base não passa de uma grande besteira.

Em setembro de 2006, começou a ser discutida a temporada seguinte no clube. Dois meses mais tarde a diretoria de futsal conseguiria aprovar, com total apoio do vice-presidente de futebol, Culica, e do vice-presidente administrativo, César Augusto Gonçalves, a reforma no ginásio de esportes. Os recursos viriam da Sul Imagem, que mais do que um simples patrocinador, demonstrava ser um parceiro realmente efetivo das categorias de base do LIC. No entanto, o empresário Edison Bianchi, então vice-presidente de outros esportes do clube, condicionou o investimento da sua empresa a uma contrapartida do LIC, que teria que reformar a quadra 2 para atividades poliesportivas.

Mas a aprovação orçamentária não significou necessariamente a execução do projeto e essa briga ainda estaria longe de terminar. No início de janeiro, a necessidade da reforma era urgente, pois o Campeonato Estadual seria iniciado em abril. Após muita discussão em reunião ordinária da diretoria, na qual o diretor financeiro do clube fez questão de salientar sua desaprovação em relação ao investimento, a execução do que estava previsto no orçamento foi liberada. Deve-se ressaltar a atuação do Culica, que bateu forte na mesa, como lhe era peculiar quando o óbvio não parecia ululante aos olhos e ouvidos alheios. Foi sua última grande atuação junto à diretoria, e foi fundamental para o desenvolvimento do futsal no clube.

Logo após a aprovação, Culica, eu e o técnico Alex (seu filho), sentamos à mesa na lanchonete do clube para discutir uma nova parceria. Queríamos o Avaí Futebol Clube como parceiro, já que significava uma marca forte para dar visibilidade maior à equipe nas competições e permitir mais ampla alavancagem de recursos. Avaiano e ex-atleta do Avaí, Culica apreciou a idéia, mas não quis tomar a frente do processo. Indicou o então vice-presidente do LIC, Airton Galdino para tomar a dianteira da negociação. Como estava achando muito lento todo o trâmite do novo negócio, parti eu mesmo atrás do presidente do Avaí, João Nilson Zunino, que, em reunião com seu diretor de marketing Amaro Lúcio, com o então superintendente de futebol, Márcio Meller e comigo, decidimos a pela parceria. No dia 29 de janeiro de 2007, na sala da presidência na Ressacada, foi assinado o contrato.

O esforço para formar uma grande equipe começou, na verdade, em dezembro de 2006, mais precisamente durante a realização dos jogos das seleções catarinenses em Jaraguá do Sul. Tanto o Alex quanto eu tínhamos em mente trazer alguns reforços de peso para compor nosso elenco Sub-13. Lembro-me que alguns meses antes, havia conversado com Miguel Rabeba, técnico da Elase, sobre a intenção de fortalecer minha equipe para a temporada seguinte. Falamos também sobre os obstáculos de ter que conviver com os principais jogadores da cidade presos a outras agremiações. Ele simplesmente me disse o óbvio: “Olhe ao redor, nos municípios, que você vai encontrar muita garoto bom de bola.” E ele estava certo.

Foi o que fizemos.

Em Jaraguá do Sul partiu o convite para o Gabriel “Chuck” (à época jogador da União Josefense), para o Diogo, o Jhonathan e o goleiro Guilherme (todos de Bom Retiro). Junto com o Gabriel vieram de Biguaçu jogadores importantes, como o Pelezinho, Anderson e Jorginho. Da Elase vieram o Yan de Deus e o Gustavo. Um pouco mais tarde – já que atravessava problemas pessoais – veio o Vinícius Manoel, ex-Adesa, de Santo Amaro da Imperatriz. Completaram a lista, no meio do ano, Fabinho, Vitor e Ranier – vindos do Colégio Nossa Senhora de Fátima. Todos esses atletas se juntaram ao grupo que já possuía jogadores de qualidade, como os goleiros Victor e Aquiles, João e Felipe. Havia ainda os irmãos Lucas e Matheus e o Dudu, que completavam o elenco. Um grupo formado por 20 atletas.

Cada um deles teve um tipo de negociação diferenciada. No caso do Gabriel, foi necessário fazer o convite diante do seu treinador, Tsiu, que evidentemente desaconselhou a troca aos pais, alegando que ele já praticava natação e jogava na União Josefense e na equipe da escola. Era verdade, mas por que continuar jogando na União Josefense? Se você quer ter um time grande, tem que ter postura de time grande. Ou seja, colher os valores dos times pequenos e lapidá-los. Chamei a Jane, mãe do Gabriel para uma conversa em separado, nos fundos do restaurante dos atletas da Malwee Futsal. Lá nos acertamos e o Gabriel passou a ser a primeira aquisição do nosso novo elenco. Ele interessava também à Elase e, nessa briga, prevalecemos em função da estrutura que estávamos oferecendo aos atletas, com assistência médica e odontológica, fisioterapia e academia de musculação. Nada disso estava negociado, mas entrei de cabeça no projeto descascando uma a uma cada uma dessas batatas – muitas delas, batatas quentes.

O Diogo foi coisa do Alex, nosso técnico. Ele viu o garoto destruir o favoritismo da nossa equipe nas finais do Circuito Catarinense de Futsal. Viu novamente ele destruir em apenas ¼ de jogo o time de Jaraguá do Sul atuando pela seleção catarinense. Não precisou ver mais. Convidou e recebeu de imediato um sim. Na seqüência, finalizei a negociação, trazendo os outros dois jogadores de Bom Retiro que me interessavam.
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Os dois jogadores da Elase vieram numa onda de insatisfação com o andar das coisas naquele clube. Vieram também pela promessa de uma boa infra-estrutura e pela novidade que o projeto representava. O Vinícius Manoel era o jogador que eu sonhava ver atuando no nosso time. Com um chute violentíssimo, poderia fazer a diferença nas partidas. Em muitas acabou fazendo mesmo. Mas sua vinda foi uma novela. Estava com problemas na escola e seus pais, com toda razão, não liberaram sua participação na nossa equipe. Isso só veio a ocorrer em maio. Fez toda a diferença. Brincalhão e gente boa, Vinícius acabou sendo hostilizado por alguns jogadores do seu ex-time. O próprio treinador não aceitou mais que ele atuasse pela Adesa em torneios e circuitos. Ainda bem, já que ele era oficialmente atleta do Lagoa Iate Clube.
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Fabinho, Vitor e Ranier vieram através de um pacote. E novamente eu tive que entrar em conflito com a Elase. Venci outra vez. Eram jogadores encomendados pelo técnico Alex Silva. Permitiram que tanto o sistema defensivo quanto o ofensivo fossem ajustados. Além disso, encorparam a equipe a partir de uma fase em que a força física passou a ser sinônimo de competitividade. Demorou, mas em seis meses estava pronto o novo time.

As parcerias de 2007


Julio Pieri, um empresário que apostou no Avaí-LIC

O desafio era muito grande: levar nas costas um projeto ousado, que envolvesse diversos tipos de serviço e pelo menos uma fonte sólida de recursos para arcar com os custos da temporada 2007. Dentro do nosso plano de marketing a intenção de fidelizar os patrocinadores aparece como uma das prioridades. Sendo assim, tivemos que recorrer ao Colégio Tendência mais uma vez, mas apontando para a necessidade de um reajuste de valores. Alegando que estaria fora dos limites previstos pela escola após consulta ao financeiro, o diretor do Tendência bateu o pé nos mesmos valores da temporada anterior, sem considerar o grande aumento de custos que teríamos durante a temporada. Obviamente era um sinal de que precisaríamos de um novo parceiro para a empreitada.

Da mesma maneira, a Brasil Telecom reduziu seu repasse de recursos de R$ 4.500 para R$ 3.500. A compensação viria através da Sul Imagem, que nos repassaria R$ 7.200 para os custos com a temporada e mais R$ 27 mil para reforma da quadra. Não houve outra fonte de receita em 2007. Ou seja, com exatos R$ 20.700, não considerando a verba para reforma, tivemos que arcar com todas as despesas das quatro equipes. Obviamente fizemos uma reengenharia de custos e priorizamos a participação do Sub-13 no Campeonato Estadual. As demais equipes continuariam a participar das competições que vinham disputando anteriormente. Gerou uma grande ciumeira e, pela primeira vez durante a minha gestão, a oposição se manifestou de forma organizada e radical. Mas não deu em nada.

Com uma receita mínima e um grande sonho em mente, fui atrás dos serviços tão necessários ao funcionamento profissional de uma equipe de competição. São eles: assistência médica, assistência odontológica, fisioterapia e academia de musculação.
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Com a Unimed, que já vinha sendo sondada desde 2006, foi fechado um contrato no valor de R$ 10 mil anuais que, a princípio cobriria apenas a equipe que disputaria o Campeonato Estadual, mas em seguida foi estendida aos demais atletas. Essa assistência deveria ser somente para problemas oriundos da prática esportiva, mas acabou sendo generalizada, inclusive com algumas operações necessárias durante a temporada.
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No caso da fisioterapia, a Clínica Forma e Equilíbrio nos forneceu o serviço em troca de sua marca estampada no Jornal do Futsal e nos coletes de treino. Os serviços odontológicos do Chain Dental Center foi permutado pela propaganda no Jornal do Futsal e nos coletes de jogo. A Academia Racer, que abriu seu espaço aos nossos atletas Sub-13 e Sub-15, permutou o serviço por um espaço nas camisas de jogo e no Jornal do Futsal. Todos os patrocinadores ganharam espaço em nossos sites. A Unimed chegou a colocar dois banners no ginásio de esportes do LIC.
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Em relação aos uniformes de jogo, tivemos que encomendar quatro jogos – dois para o Sub-11 e dois para o Sub-13, nossas principais equipes. A categoria Sub-9 praticamente não atuou em 2007 por falta de reposição da escolinhas de futsal. Já o time Sub-15 participou das competições sem ostentar a marca Avaí-LIC, que surgiu da principal parceria firmada pelo clube naquele ano. Também não foi muito longe em suas pretensões. A Pieri Sport foi mais uma vez a nossa fornecedora. Dentro no novo modelo de negociação, acabou lucrando com a nossa aquisição de bolas e agasalhos. Uma mão lavando a outra.
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A JAN Bebidas se manteve como nossa fornecedora de água mineral, um apoio indispensável em todas as competições. Era esse o staff de patrocinadores que compunha a base de sustentação do clube nas competições de 2007. Acabou dando certo, porque a equipe Sub-13 caiu na fase semifinal do Campeonato Estadual. Caso tivéssemos ido para a final, em São Miguel D’Oeste – de novo! -, seria complicado. Teria que buscar uma suplementação de recursos junto aos patrocinadores e aos pais. Em caixa havia cerca de R$ 1.200. Acabei empregando grande parte desses recursos para promover a Taça Tendência de Futsal, que teve a finalidade de dar um ânimo à nossa abalada equipe, desclassificada, mas ainda disputando a fase semifinal da Liga de Florianópolis.

Na verdade não houve erro de cálculo, mas precisamos atender a diversas demandas das outras duas categorias, especialmente da Sub-11, onde se situava o front oposicionista. E também ocorreram investimentos na categoria Sub-12, que se formava para despontar no ano seguinte. Com o caixa baixo, não apreciei o pedido do técnico Alex Silva. Mas acatei e hoje acredito ter sido uma das mais inteligentes decisões de tomei durante toda a minha gestão. Enquanto os custos extras se avolumavam e, diante da impossibilidade de ter feito suprimento de caixa para ocasiões de emergência, tive que mexer no dinheiro do orçamento para o Campeonato Estadual.

A questão é que não seria dinheiro o que nos separaria das finais do campeonato. Se fosse preciso eu tiraria do meu próprio bolso, como fiz por diversas vezes, para levar a equipe à decisão. Para ir à final seriam necessários mais R$ 4 mil. Eu tinha pouco mais de R$ 1 mil, mas havia gasto R$ 1.650 com os custos extras. Ainda assim o erro foi pequeno. Acabou não transparecendo e ainda sobrou para investir em outra competição e arcar com os custos iniciais do ano seguinte.

Reforma do ginásio


A quadra antiga do LIC era por demais acanhada

Alvo de muitas discussões, a reforma do ginásio de esportes foi sem dúvida o primeiro grande marco da minha gestão à frente do futsal do LIC. A idéia surgiu através de uma conversa que tive com o então vice-presidente de outros esportes do clube, Edison Bianchi, para quem seria necessário comprar um placar eletrônico. Observei a ele que, como nossa intenção era disputar o Campeonato Catarinense de Futsal em 2007, seria preciso muito mais do que um placar eletrônico. Era fundamental reformar todo o piso do ginásio, que estava literalmente se desfazendo em pedaços e ampliar suas dimensões, bastante acanhadas para a prática esportiva em alto nível. Bianchi, então, fez a seguinte proposta: a Sul Imagem, empresa presidida por ele, fará a reforma na quadra de jogo, mas o clube terá que dar uma contrapartida, reformando a quadra poliesportiva.

Essa proposta foi amadurecida e discutida com o vice-presidente de futebol, Culica, que a defendeu com muita garra na hora de introduzi-la no orçamento do clube para 2007. Em fins de novembro estava aprovada pela diretoria do clube. Mas é a partir daí que a briga pela sua execução imediata se inicia. O então diretor financeiro do LIC, Ericson Scheiber, tinha posição absolutamente contrária à reforma naquele momento, alegando que o clube deveria ter outras prioridades, como o pagamento dos funcionários. Na reunião em que a execução da reforma foi aprovada, ele chegou a dizer que não é por estar no orçamento que a obra deveria ser imediatamente executada. E finalizou: “Temos que ver se é prioridade? Será que é?”. Nesse momento, o Culica se levanta e coloca com veemência: “A reforma foi aprovada no orçamento e precisa ser feita no começo desse ano, sob pena de comprometer todo o andamento do projeto do futsal para 2007.”

Após a observação do Culica, entrei na seqüência: “Não adianta nada ter entrado no orçamento e não ser feita agora. Essa reforma é uma obrigação a ser cumprida pelo LIC para poder disputar o Campeonato Catarinense de Futsal, é uma exigência da Federação. Se for feita em abril ou maio não nos serve”, frisei. E na verdade não nos serviria mesmo, já que a Federação Catarinense de Futebol de Salão passou a exigir que naquele ano as dimensões mínimas das quadras fossem de 30 x 17 a partir da categoria Sub-13. A nossa velha quadra tinha 28 x 15.60.

Os argumentos foram decisivos, assim como foi decisiva a postura do Culica, que chegou a bater na mesa de reuniões da diretoria quando sentiu que a tendência defendida pelo ex-diretor financeiro poderia prevalecer. Culica chegou a conversar em separado, num canto da sala, com o Edison, que naquele momento não quis posicionar-se a respeito. Do nosso lado argumentaram ainda o vice-presidente administrativo do clube, César Augusto Gonçalves, e o gerente executivo, Ernani Farani, salientando que com um parcelamento da dívida a ser contraída na reforma da quadra, o LIC teria plenas condições de cumprir a sua parte. Sem mais argumentos, e diante da forte pressão exercida pelo grupo, restou aos demais membros da diretoria aprovar a execução urgente da reforma do ginásio, que foi parcelada em seis vezes.

Enquanto era feita a tomada de preços para a compra do placar eletrônico, foi contratada a empresa Quadratec para realizar todo o projeto de ampliação e restauração do piso das quadras. Na terceira semana de janeiro a reforma foi iniciada. Quando o piso da quadra 1 foi levantado, descobriu-se que grande parte do barroteamento estava podre. Verificou-se ainda que o barroteamento tinha uma distância de 45 centímetros, quando o usual é 25. De qualquer forma, serviria como uma espécie de sistema de amortecimento, já que o piso se torna mais macio. Naquela época, um metro quadrado de amortecedores para piso custava cerca de R$ 97. Dá para imaginar quanto custaria utilizar esse sistema em uma quadra que tem as dimensões atuais de 31 x 17. A maciez da quadra permite que os problemas de articulação, especialmente a dos joelhos dos atletas, próprios à modalidade, sejam minimizados. No entanto, o desgaste da quadra é maior, já que a calafetação não resiste intacta por muito tempo.

O sol era escaldante no verão de 2007 e tivemos que reunir nosso grupo, pela primeira vez, na quadra 2, já que a reforma da quadra de jogo estava apenas iniciando. Nunca vou me esquecer aquele sábado no final de janeiro. A garotada fazendo exercícios pesados, no início da pré-temporada, correndo e suando bastante. Eu mesmo, que preparava os goleiros da equipe Sub-13, fiquei totalmente encharcado de suor. Era difícil respirar, já que havia poeira em abundância – o primeiro passo do acirramento de uma rinite que me custou um mês de surdez parcial no ouvido esquerdo no final do ano. Os meninos que tinham também tinham rinite, como o Diogo, também devem ter sofrido bastante. Os pais, curiosos com o novo time, se acotovelavam na tímida arquibancada da quadra poliesportiva, composta por apenas uma fileira de bancos. Após duas horas de treino exaustivos, todos saímos muito sujos do ginásio. A recompensa foi uma sessão de relaxamento na piscina do clube. Depois dos exercícios, farra para a garotada.

É preciso salientar que a liberação da piscina para os atletas, após os treinos foi outra batalha. Havia quem defendesse que deveria limitar-se apenas ao uso dos associados. Na verdade, uma meia dúzia de gatos pingados, já que piscina não é mesmo o forte do LIC – quem diria... um clube que ainda ostenta orgulhosamente sua piscina no próprio emblema. Mais uma vez, graças ao bom senso e intervenção do Ernani, a piscina foi liberada. A garotada, na verdade, sentia-se tratada como nunca o fora anteriormente. Havia por trás de todas as atividades um cuidado imenso com a qualidade de vida de cada um. Foi um trabalho profissional em todos os sentidos.

A ampliação e reforma do piso da quadra havia sido feita. A ansiedade da garotada era demais, já que a equipe vinha treinando na quadra ao lado, acanhada e ainda muito danificada. Apenas o piso e a calafetação estavam prontos. As marcas ainda eram da quadra antiga, mas já dava para colocar os jogadores para treinar com mais conforto. Por outro lado, o início da reforma da quadra 2 voltou a levantar poeira. Muita poeira. E descobrimos que havia até um formigueiro próximo à área dos goleiros. No futebol de campo, onde o goleiro pisa não nasce grama. Já na quadra nascem formigas. Após vários treinos em meio à bagunça, pregos, poeira e cheiro de madeira, o piso da quadra 2 ficou pronto. E todos voltaram para lá.

Chegou a hora da pintura. Escolhemos a cor cinza para o fundo, azul para as áreas, círculo central e áreas externas, e branco para as linhas. A quadra de vôlei, que muitas vezes serve de referência para o sistema defensivo no futsal, não foi pintada. Apenas suas linhas seriam delimitadas em laranja. A pintura ficou pronta, mas não a demarcação. Era o momento de pintar a quadra 2. Pintura e demarcação feitas. O fundo alaranjado causou excelente impressão. Parecia mais bonita que a quadra 1 e, na verdade, era mesmo. Só que o fundo cinza claro da quadra 1 expande mais a iluminação e isso foi pensando antes da escolha da cor. Faltava pouco para a conclusão de reforma.

A demarcação da quadra 1 foi feita, assim como alguns retoques, três dias antes da II Copa 14 de Futsal, nosso primeiro compromisso do ano, um torneio que às vésperas do início do Campeonato Estadual, encerrava a pré-temporada. Perdemos o jogo de estréia por 4 a 1 para o Colégio Nossa Senhora de Fátima, mas ainda assim acabamos campeões. A quadra, recém pintada, não resistiu e teve que receber um reforço na pintura. Por mais uma semana treinamos na quadra 2. Só que, agora, estava tudo pronto. Ou quase, porque o placar eletrônico embora estivesse no clube, ainda não havia sido instalado. Mas não demorou muito até que esse serviço fosse feito.

Avaí-LIC


Zunino, Victor e Galdino no ato de assinatura da parceria Avaí-LIC

A parceria entre o Lagoa Iate Clube e o Avaí Futebol Clube resultou na forte equipe do Avaí-LIC. Sensação na temporada 2007, o time despertou a curiosidade dos adversários. No próprio clube, ninguém sabia dimensionar ao certo o valor da parceria. Jamais iriam imaginar que se estava procurando aliar à marca LIC uma outra bem mais forte, que representasse o principal clube de futebol de massa de Santa Catarina. Com esse peso, sabíamos que haveria maior facilidade de negociação com os patrocinadores, com a mídia e com os próprios atletas. Era o ingrediente que faltava para conferir grandiosidade ao projeto.
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Na reunião que decidiu pela viabilidade da parceria, a qual estavam presentes o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, o então superintendente de futebol avaiano, Márcio Meller, o diretor de marketing do clube, Amaro Lúcio, e eu, o projeto foi apresentado e brevemente analisado. Antes de dar seu sim, Zunino só me fez uma pergunta: “Para que time você torce?”. Carioca, tive que confessar que era Fluminense, mas salientei: “Em Santa Catarina eu torço contra o Figueirense. E, como por aqui o Avaí representa o seu grande rival, eu acabo sempre sendo um pouco avaiano.” Era a resposta certa. E era mesmo verdade. Evidentemente, após torcer por dois anos consecutivos para o Avaí, acabei incorporando esse gosto. No meu coração tricolor tem um cantinho reservado para o alvi-anil.
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A cerimônia de assinatura do contrato reuniu o presidente do Avaí, seu vice, Eduardo Gomes, diretores e conselheiros. Pelo LIC compareceram o gerente executivo do clube, Ernani Farani, o vice-presidente Airton Galdino, eu e o meu filho, o goleiro Victor, que representou os atletas da equipe Sub-13. A tevê do Avaí, rádio do Avaí e assessoria de comunicação do Avaí cobriram o evento, fizeram entrevistas e registraram as imagens da assinatura.
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No clube as opiniões se dividiam. Quem torcia pelo Figueirense evidentemente não gostou muito da novidade. Os avaianos aplaudiram. Houve quem questionasse o quanto o Avaí estaria colocando de dinheiro na parceria. Não colocou nada diretamente. Mas nos deixou trabalhar com a sua marca, um forte ativo no fim das contas, já que nos proporcionou fechar importantes contratos. Houve quem não gostasse dos rumos que o futsal no LIC estava tomando. A competitividade assustou a oposição, que estava localizada na categoria Sub-11. Sentiram-se ameaçados e passaram a fazer uma série de exigências e muito beicinho. Quem antes me dava tapinhas nas costas, passou a usar o espaço para cravar-me o punhal da traição. Mas não deu em nada. Após me reunir com o grupo, ouvi as queixas e preocupações, bati o martelo em relação a política que o clube resolvera adotar e encaminhei posteriormente as soluções. Decidi não bater de frente, mas deixei clara a minha posição. O futuro da equipe Sub-11 passava a ser responsabilidade dos próprios pais, insatisfeitos com as mudanças. Liderança é isso, nem sempre dá para impor a nossa vontade. Por outro lado, eles tiveram que conviver com resultados muito aquém da real capacidade do time. Não tinham liderança e a nau vagou desgovernada.
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Para a oposição, não se tratava do time de futsal do Avaí e sim do LIC. Na torcida, gritavam LIC. Jogavam também como o velho LIC e deu no que deu. Em nada, apesar de um elenco bastante razoável. Implicavam com tudo, inclusive em ter que pagar os agasalhos. Uma mãe chegou a me questionar: “Mas por que eu tenho que pagar? Na época do Culica a gente ganhou o agasalho de graça.” Ganharam, sim. Foi uma parceria entre o LIC e a Bunge Alimentos - tudo à base da amizade, já que entre outras capacidades, o Culica tinha no relacionamento uma de suas principais armas. Só que, se ganharam agasalho, não tinham Unimed, não tinham dentista, não tinham musculação, não tinham nutricionista, não tinha bolas novas, não tinham dois jogos de uniforme, não tinham a quadra reformada, não tinham placar eletrônico, não tinham Jornal do Futsal, não tinham site e nem blog, não tinham o prestígio de pertencer a um grande clube de futsal. Não tinham sequer a certeza de que iriam disputar a próxima temporada. Não quiseram enxergar o avanço e só se preocupavam com minúcias, com migalhas, com picuinhas que não levariam ninguém a lugar algum. No fim do ano, foram os que mais usufruíram dos benefícios de saúde oferecidos pela modalidade, mas ainda assim reclamavam. E, na quadra, era o tal negócio: “jogavam como nunca e perdiam como sempre.”
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A torcida do LIC sempre se caracterizou pela sua passividade – totalmente diferente do comportamento das torcidas adversárias, do comportamento do técnico Alex Silva em quadra e principalmente do meu. Após a criação do Avaí-LIC, o Sub-13 passou a vibrar com mais emoção, embora ainda muito aquém dos adversários. Às vezes alguns visitantes avaianos ajudavam a empurrar o time. No entanto, a torcida do Sub-13 de 2007 foi encorpada por novos torcedores em 2008 e, a partir daí, passou a vibrar com muita emoção. Eu mesmo cheguei a puxar o coro de torcedores em alguns jogos. Mas foi somente no Sub-15. Nas demais categorias – inclusive no super time Sub-13 de 2007 -, a passividade se manteve.
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A torcida Sub-15 de 2008 utilizou diversos cantos que habitam até hoje a Ressacada. Empurravam a equipe e demonstravam entusiasmo e amor. Era uma torcida apaixonada pelo seu time, que iria ao inferno para ver o triunfo dos garotos. Mas nem sempre a história é feita de vitórias, embora o sucesso não possa ser dimensionado em função desse tipo de conquistas. Vitória mesmo foi ver aquele grupo unido, pais e atletas, que viajavam pelo Estado, dormiam em alojamentos e estavam sempre presentes, independente dos resultados – que, aliás, foram bons, dadas as circunstâncias de se haver formado uma base de atletas Sub-14 para disputar o Campeonato Catarinense de Futsal Sub-15 – o mais forte do Brasil nessa categoria. Na Liga de Florianópolis, um justo vice-campeonato premiou a atuação da equipe, que perdeu jogadores muito importantes ao longo do ano, mas chegou muito unida e orgulhosa de si mesma no final da temporada.

Mudança de uniformes


Os novos uniformes para a temporada 2007 tinham design moderno

As antigas equipes do Lagoa Iate Clube (LIC) marcavam sua presença nas quadras de forma bem destacada devido a seu uniforme cinza. A idéia foi do próprio técnico Alex Silva que, em época de “vacas magras”, criou uma alternativa de cor que nenhuma agremiação em Florianópolis possuía. A capital catarinense é a terra dos clubes alvi-anis: Colegial, Elase, AABB e o próprio LIC. Utilizando o cinza, não seria necessário confeccionar um segundo uniforme para não confundir com as cores adversárias. Foram cinco temporadas de cinza.

Obviamente que, ao participar do Campeonato Catarinense de Futsal ostentando os emblemas do Avaí Futebol Clube e do LIC, a equipe teria que entrar em quadra de azul e branco. Tinha que ser a esquadra azurra, e assim o foi.

Quando fui à Pieri Sport analisar os modelos de uniforme, de pronto simpatizei com o modelo de quatro listras, muito parecido com o uniforme do Real Madri. Teria que ser aquele mesmo, embora fosse o mais caro. Não dava para economizar justamente naquilo que caracterizaria nossa forma visual de apresentação. Todos os detalhes foram pensados, inclusive o agasalho, muito bonito e também os mais caro entre todos os modelos da Pieri Sport.

Desde o momento que o uniforme do Avaí-LIC foi confeccionado, diversas pessoas tentaram comprar camisas. Penso que faltou um pouco de organização da nossa parte para tornar a venda das camisas algo lucrativo. O maior problema é que a Pieri Sport exigia pelo menos um pedido de seis camisas, o que nos forçava a concentrar parte do nosso esforço em vendas (o que não era o propósito naquele momento) ou aguardar ter número suficiente de pedidos para encomendar as camisas – e isso foi feito.

Um dos nossos grandes problemas com o novo uniforme foi o meião. Usamos apenas meiões brancos durante a temporada, já que no mercado nacional não encontramos o azul-marinho. A Penalty, única alternativa, não oferecia mais essa cor de meião. Cheguei a ligar para o Rio de Janeiro e Minas Gerais em busca de empresas que produzissem essa cor de meião, mas foi em vão. Jogamos de meiões brancos tanto com o uniforme azul quanto com o branco.

Grito de guerra e trajes errados


O grito de guerra azurra lembra o dos soldados de Esparta, no filme 500

No dia 4 de abril de 2007, finalmente, o Avaí-LIC realizaria a sua estréia no Campeonato Catarinense de Futsal. Infelizmente nosso vice-presidente de futebol não estaria no Ginásio da Fucas, em Florianópolis, para assistir. Ele havia sido internado alguns dias antes e passava por um tratamento de câncer que, no mês seguinte, acabaria lhe tirando a vida.

Nossa equipe se concentrou no clube durante toda tarde. Conseguimos que o LIC nos liberasse o espaço da boate para nos reunirmos. Eu e minha mulher, Adriane, havíamos feito vários sanduíches de mortadela e compramos refrigerantes para o lanche da garotada. O técnico Alex Silva levou tevê e DVD e assistimos ao filme 500, como forma de motivar os jogadores, mostrar que com união e estratégia adequada, poucos podem valer por muitos e até vencer batalhas. Na época o filme era novidade. Gostaram tanto que copiaram o grito de guerra dos soldados de Esparta, que passou a fazer parte do grito de guerra da nossa equipe: “É um, é dois, é três, Avaí-LIC, Ahunnnn!!!”
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Alguns garotos estavam meio ansiosos, já que apenas o goleiro Victor, o ala Yan e o fixo Gustavo possuíam a experiência de ter disputado essa competição. O tempo parecia que não passava e havia certa tensão no ar. Para piorar as coisas, os novos uniformes ainda não haviam chegado da confecção, que nos prometeu entregar no dia do jogo.

Primeiro vieram os agasalhos. Muitos ficaram maiores do que as pernas e braços dos garotos. Teve gente que foi engolido pela roupa. Claro que reclamaram, mas tiveram que mandar encurtar na costureira. Enfim, bem mais tarde, os uniformes foram entregues e aí se verificou um grande erro. Foi confeccionado um modelo totalmente diferente da encomenda. Mas não foi só isso: a numeração também era pequena demais para os nossos jogadores. Vestidos, uns riam dos outros. Eu disse a eles que não se preocupassem, já que nos anos 70 a gente jogava exatamente daquele jeito, com o calção apertadinho. Claro que eles não engoliram. A não ser os goleiros, que sempre têm equipamento próprio e diferenciado, a maioria dos jogadores entrou em quadra com a sensação incômoda de trajar uma roupa justíssima.

Faltavam ainda os meiões, que chegariam somente 30 minutos antes da cerimônia de abertura do campeonato. No fim, estava tudo certo, já que o importante, na verdade, não era o uniforme, mas estarmos ali para enfrentar três difíceis adversários, a Elase, o Colegial e o Fernando Raulino, outra novidade daquela competição.

O calor e o clima de tensão no vestiário deram a tônica do que seria aquela rodada. Por fim, o grito de guerra era entoado pela primeira vez e a esquadra azurra entrou em quadra para fazer história. Quanto ao uniforme, mandamos fazer novamente e, na segunda rodada, estreamos o traje correto nas medidas adequadas a cada um.

A temporada 2007


Equipe atuou com os uniformes apertados no ginásio da Fucas

Culica estava internado e o Campeonato Catarinense de Futsal de 2007 se iniciava. Todos nós gostaríamos que ele estivesse lá para torcer pelo Avaí-LIC. Durante meia década ele teve que amargar ver seu filho à frente de equipes bem mais fracas. Creio que tenha se desgastado por demais. Às vezes o Culica ficava na arquibancada, quieto e perplexo com as deficiências das equipes do LIC. Outras vezes, quando algum jogo estava mais quente, torcia de verdade.
A primeira rodada do Estadual de 2007 foi contra o Fernando Raulino que, assim como a gente, era novidade na competição. Mas o forte elenco migrado da Elase para o tricolor de Florianópolis não era novidade alguma. Vários jogadores já ostentavam um bicampeonato estadual. Nossa equipe entrou em quadra um pouco receosa e, quando a bola rolou, todas as suas deficiências vieram à tona.
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O Avaí-LIC, ainda em formação e com um perfil de grande habilidade técnica e pouca força física, acabou goleado por 9 a 4. Faltou tudo: experiência, força física e estratégia. Estávamos aprendendo, embora eu já carregasse no peito um bicampeonato dos tempos de Elase. Nessa primeira rodada entramos com uma equipe sem o seu poder de fogo total. Nosso principal jogador, João da Rosa, estava seriamente machucado (ainda assim atuou por pouco tempo no segundo e no terceiro jogos); nosso armador, Gabriel, também entrou em quadra com o joelho avariado. Os dois goleiros, Victor e Aquiles estavam gripados. Gustavo havia quebrado a patela na escola. Colocamos a equipe para jogar do jeito que deu.
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No segundo jogo, pela manhã, tivemos uma grata surpresa. João da Rosa iria atuar – apesar de estar em fase de recuperação, sua mãe o liberou, embora o médico tivesse pedido mais tempo para uma plena recuperação; eles sempre fazem isso. O jogo foi contra a Elase e acabamos vencendo por 5 a 4 com um gol no último segundo. A vitória só ocorreu porque a regra de 2007 era diferente da atual. Antes, quando o chute partia para o gol e o placar era zerado, se entrasse valia. Hoje, mesmo com a bola em trajetória já não vale mais. Melhor para o nosso time que, assim, venceu pela primeira vez.
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O terceiro jogo foi à tarde, contra o Colegial, uma equipe entrosada que jogava junta há alguns anos. Embora tivéssemos atuando muito bem, acabamos pecando nas conclusões a gol e perdemos por 4 a 2. Poderíamos ter vencido, mas pontaria positivamente nunca foi um dos fortes das nossas equipes. Nosso time era bom, mas ainda faltavam algumas peças que o tornariam verdadeiramente competitivo.
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No returno da primeira fase o Avaí-LIC cresceu. Na primeira partida, contra o Fernando Raulino, depois de sairmos à frente com dois gols de vantagem, tomamos uma virada por pura inexperiência. O placar foi 6 a 3 em um jogo de igual para igual. Estávamos mais fortes, já que o fixo Vinícius Manoel veio compor nosso sistema defensivo. Pela manhã, contra o Colegial, a prova de que as coisas estavam mudando. Vencemos o jogo por 7 a 4 e, à tarde, derrotamos mais uma vez a Elase, dessa vez por 7 a 4.
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Acabamos em terceiro lugar na chave e, na segunda fase do campeonato, fomos parar na forte chave encabeçada pelo Fernando Raulino e pela Estrela Batistense (São João Batista). O quarto time era o Cônsul, de Brusque, uma espécie de azarão, mas que nos deu muito trabalho nos dois jogos em que nos enfrentamos. Viajamos ouvindo um CD com o Hino do Avaí em várias versões. A garotada já não agüentava mais. Na quadra, à noite, enfrentamos o Fernando Raulino pela terceira vez naquela competição e, novamente, perdemos depois de estarmos vencendo. Mas agora por 3 a 2. Pela manhã, um jogo duríssimo que possivelmente se transformou na principal rivalidade da competição: 4 a 4 contra o time de São João Batista Já havíamos vencido eles por 5 a 0 em um amistoso com a nossa terceira formação. À tarde, fechando a rodada, vencemos o Cônsul com muita dificuldade, 8 a 7.
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Chega o returno, na quadra da Fucas. O mando foi do Fernando Raulino. Chegaram mais três reforços para nossa equipe: Fabinho, Victor e Ranier. Com eles, nossa equipe estava mais forte fisicamente e o resultado se viu em quadra: vencemos pela primeira vez o Fernando Raulino, por 5 a 4 – chegou a estar 4 a 1 a nosso favor, mas no fim sofremos muita pressão e fomos cedendo espaço. Mas o importante é que vencemos. Contra São João Batista vencemos por 7 a 5 e, contra o Brusque jogamos o suficiente para vencer por 5 a 1. Terminamos empatados em número de pontos com a Estrela Batistense mas vencemos a chave no confronto direto.
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Levamos o mando de quadra do returno para casa, mas no turno da terceira fase tivemos que voltar a São João Batista. Como na vez anterior, ficamos alojados em uma escola, próxima ao Ginásio Manecão. Respirei muito giz das salas de aula e minha rinite ia de mal a pior. Acho que a do Diogo também. Estávamos desfalcados do João da Rosa, que teve que um compromisso de família no Rio Grande do Sul e, mesmo com todos os nossos apelos à sua mãe, ele não teve como deixar de comparecer.
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O primeiro jogo dessa fase foi contra a Spaca Blu. Perdemos por 3 a 1. Fiquei surpreso com o fortíssimo sistema defensivo por zona armado pelo treinador adversário. Era a melhor defesa do campeonato, sem qualquer dúvida. Um bom goleiro dificultava ainda mais as coisas para o nosso lado. Fomos totalmente anulados. Pela manhã enfrentamos o Helio Moritz, de Lages, em um jogo eletrizante. Vencemos por 7 a 4. À tarde, finalmente, o jogo contra a Estrela Batistense. Havia um certo clima tenso no ar, já que na noite anterior uma garotada de bicicleta ficou na frente do ginásio de esportes local tentando intimidar nossos atletas. Fui lá ver o que ocorria e ficou todo mundo quieto. A coisa toda acabou por ali. Na quadra, porém, fomos totalmente dominados pelo time local. Perdemos feio: 6 a 2.
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A situação estava crítica. Amargávamos a terceira colocação do grupo e tínhamos que vencer pelo menos dois jogos em casa para nos classificar. E o primeiro time que entrou em quadra para nos enfrentar foi justamente o Spaca Blu, com seu rígido sistema de defesa. O que eles não contavam era com a volta do João da Rosa, cheio de fome de bola e se sentindo responsável, em parte, pelos maus resultados do turno. Foi um verdadeiro massacre: 9 a 1. Quando tudo parecia estar bem encaminhado – e vivendo ainda a euforia do jogo da noite anterior – perdemos por 7 a 6 para o Hélio Moritz, em um jogo que parecia uma pelada. A derrota nos obrigou a vencer o jogo da tarde, contra o São João Batista. Conscientes do poderio da nossa equipe, eles fizeram de tudo para nos eliminar. Não se iludiram com a vitória por 6 a 2 duas semanas antes, já que o nosso time não estava completo – além do João, o Vinícius Manoel havia recebido o terceiro cartão amarelo no jogo anterior. Fizeram de tudo, mas não deu. Goleamos por 8 a 4. Se tomássemos mais dois gols nesse jogo estaríamos desclassificados. Passamos em segundo lugar, atrás da própria Estrela Batistense.
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Estreamos na quarta fase contra a equipe de São João Batista, mais uma vez no Ginásio Manecão. E perdemos por 5 a 4, um jogo em que fomos bastante prejudicados pela arbitragem que não deu uma penalidade clara quando faltavam apenas cinco segundos para encerrar a partida. Pela manhã, nos impomos diante do Clube Doze de Agosto, vencendo por 6 a 3. À tarde, numa partida tumultuada pelas torcidas, goleamos a Elase por 12 a 7. Peladaço! O returno foi disputado na reduzida quadra do Clube Doze de Agosto. Tivemos a Estrela Batistense mais uma vez pela frente. Possivelmente foi o pior jogo da nossa equipe em todo campeonato. Tomamos uma surra: 8 a 3, que poderia ter sido muito pior. Refeitos do susto, jogamos uma boa partida pela manhã, vencendo por 10 a 6 o Clube Doze de Agosto. À tarde, vencemos a Elase por 4 a 3, em uma partida em que o adversário simplesmente abandonou a quadra quando ainda faltavam seis minutos para serem jogados e tudo poderia acontecer. Abandonaram a quadra e disseram adeus ao campeonato. Mais uma vez nos classificamos em segundo lugar no grupo. Estávamos, agora, na quinta etapa, a fase semifinal da competição.